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A GÊNESE DE NIBIRU

Erick Kenji Doi e Deidimar Alves Brissi

Recebido em: 10/05/2021 - Aceito em: 03/08/2021 - Publicado em: 17/11/2021

Pindorama Ciência - Ano 1 - Volume 1 - e2021003

Teorias da conspiração movem diversos grupos a acreditarem em situações pouco prováveis e na maioria dos casos, sem nenhum embasamento.

Em uma dessas teorias da conspiração entra o suposto planeta chamado atualmente de Nibiru (Figura 1), com dimensões 5 ou 6 vezes maior que a Terra e massa indefinida, que estaria orbitando a periferia do Sistema Solar. Nessa a teoria de conspiração, o planeta (Figura 1) é chamado por diversos nomes como Nibiru, Planeta X e Hercobulus. O mesmo, no futuro, estaria orbitando próximo à Terra e ameaçaria toda a existência humana, seja por conta de uma colisão direta com o nosso planeta (Figura 2), ou, uma possível interação gravitacional que inverteria os polos magnéticos e causaria o apocalipse (Figura 3) (GALILEU, 2017).

Figura 1. Concepção artística do suposto planeta Nibiru. Fonte: Wikipedia, 2020.

A palavra Nibiru tem a origem na língua acádia, língua essa utilizada na antiga mesopotâmia, e o termo teria como significado a expressão ponto de transição ou o cruzamento. Segundo a mitologia babilônica, Nibiru seria o nome de uma estrela, que foi colocada manualmente no céu pelo deus Marduk, deus esse responsável por “pastorar” as suas ovelhas, que segundo a mitologia, seriam as estrelas do céu (HEISER, 2009).

O conhecido como Nibiru (REVISTA GALILEU, 2017), Hercóbulus (RABOLÚ, 1998), Planeta X (ZAP, 2019) e (FINCH E GALIAZZO, 2019) ou Chupão (ESOTÉRICO, TERRA, 2006), seria um suposto corpo celeste que poderia “habitar” a margem de nosso Sistema Solar após a orbita de Netuno, estaria esse apresentando risco para toda a vida de nosso planeta, de forma que o mesmo poderia interferir na orbita da Terra e da Lua, além de supostamente ter sido o grande causador de um diluvio acontecido na Terra há 11 milhões de anos.

Figura 2. De acordo com os teóricos do suposto planeta Nibiru, sua chegada causaria uma catástrofe no Planeta Terra. Fonte: Wikipedia, 2020.

Segundo fontes como a Revista virtual Galileu (REVISTA GALILEU, 2017), esse planeta apareceu pela primeira vez em textos sumérios, povo que habitava o sul da antiga Mesopotâmia, onde fica o Iraque. De acordo com esses textos, esse planeta estaria se movendo lentamente e se aproximaria do Sol a cada 3600 anos.

Em 1990, uma suposta médium chamada de Nancy Lieder afirmou que recebeu mensagens de ETs de uma estrela distante e postou em seu blog que o mundo acabaria nos anos 2000. Esses ETs informaram que um mundo errante, que logo foi associado a Nibiru, se chocaria com a Terra e inverteria os polos magnéticos do mundo, causando assim o apocalipse.

De tempos em tempos esses assuntos voltam a aparecer graças a autores que escrevem livros, blogs e outros tipos de publicações, por meio de textos de civilizações antigas e supostos contatos com espíritos, como é o caso do espírito Ramatis que é usado por vários médiuns como um mentor para esses apocalipses.

Figura 3. Suposto apocalipse gerado pela inversão dos polos magnéticos. Fonte: Wikipédia, 2020.

Ramatis é um espírito que já se comunicou com diversos médiuns, dentre eles, Hercílio Maes, que psicografou o livro O Astro Intruso, quando questionado sobre a função primordial desse planeta ele responde:

Por apresentar uma força magnética extremamente rudimentar e grosseira, ele, à medida que vai passando ao largo de planetas habitados situados em sua trajetória, atrai para sua esfera espíritos sintonizados com vibrações inferiores. Espíritos esses que não conseguiram atingir o desenvolvimento necessário ao processo evolutivo, e cujo renascer em planetas ainda primários se faz categórico. (MAES, 2004, P.13).

A própria NASA já se pronunciou em um anúncio oficial (NASA, 2012), desmistificando o assunto, tratando esses supostos planetas como nada mais que boatos espalhados pela Internet e que é possível identificar qualquer que seja o corpo em movimento pelo Sistema Solar, uma década antes de chegar próximo da Terra.

Por volta do século XVII a raça humana ainda engatinhava quanto ao conhecimento de nosso Sistema Solar, à época, só era de conhecimento dos Astrônomos, 6 planetas de nosso sistema, sendo eles: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno.

Uma das grandes discussões ocorridas durante o século XVIII dentro da Astronomia foi a Lei de Titius-Bode, uma relação criada em 1766 a base de uma progressão geométrica, descrita por um Astrônomo alemão chamado Johan Daniel Tietz (1729-1796) e divulgada por outro Astrônomo alemão chamado Johann Elert Bode (1747-1826). Essa relação seria responsável por calcular a distância entre um planeta e outro no Sistema Solar e calcular a distância entre cada planeta e o Sol, foi impulsionada por conta dos descobrimentos de Urano em 1781 e Ceres em 1801, de forma que já previa bem proximamente a distância aonde foram encontrados ambos.

A relação é construída a base de uma progressão geométrica de 2 (0,1,2,4,8,16 e 32), multiplicou-se cada termo por 3, obtendo: (0,3,6,12,24,48 e 96), adicionou 4 unidades em cada número (4,7,10,16,28,52 e 100), e por fim os dividiu por 10 (0.4,0.7,1,1.6,2.8,5.2 e 10). Essa sequência, em UA (unidades astronômicas) representaria a distância dos planetas até o Sol.

Tabela 1: Comparação dos dados da Lei de Titius-Bode com dados reais. Fonte: Nieto, 2014.

Por mais que a teoria apresentasse valores incrivelmente próximos com os valores reais, é após a descoberta de Netuno que a teoria de Titius-Bode perde sua credibilidade ao apresentar grande discrepância entre os valores teóricos e os valores reais.

Em 1781, o sétimo planeta do Sistema Solar, Urano, foi descoberto por Willian Herschel (1738-1822) quando o mesmo observava o céu com seu telescópio, mas que à época o nominou de Georgium Sidus, o nome Urano só foi aplicado por Johann Elert Bode em 1850, para se adequar aos outros nomes dos planetas e sua mitologia. Após esse “acidente” que gerou a descoberta do sétimo planeta de nosso sistema, iniciou-se uma série de cálculos matemáticos para calcular a orbita que esse planeta descreveria. Porém com esses cálculos foi analisado que o corpo celeste não aplicava o que estava previsto teoricamente, e ainda acreditando na Lei da Gravitação Universal de Isaac Newton, foi cogitada a influência de um oitavo planeta, ainda não conhecido, o que justificaria a divergência entre a teoria e a prática.

Se passaram 65 anos entre uma descoberta e a outra para que Netuno, o oitavo planeta, em 1846 fosse relevado para o mundo, após terem descoberto sua posição graças aos cálculos matemáticos. Estaria ali descoberto o planeta que estaria influenciando na orbita de Urano. Houve uma grande disputa entre ingleses e franceses para definir que ficaria com a descoberta do planeta, mas os créditos acabaram sendo divididos entre Urbain Le Verrier (1811-1877) e John Couch Adams (1819-1892).

Com a descoberta de Netuno, foi-se imaginado que quanto mais se pesquisasse, mais era possível encontrar novos planetas pelo Sistema Solar, e pesquisadores como Percival Lowell (1855-1916), por sua parte ainda se mantiveram inquietos quanto as perturbações da orbita de Urano, que ainda acreditava que podia encontrar mais algum corpo celeste próximo a orbita deste planeta, assim, batizando este suposto astro de Planeta X, antes mesmo de o descobrirem.

Lowell por sua parte, acabou falecendo em 1916 sem conseguir descobrir o suposto Planeta X, foi só em 1930 que Clyde Tombaugh (1906-1997), outro Astrônomo americano que trabalhava no observatório de Lowell, descobriu Plutão, aquele que seria em 2006, rebaixado a planeta anão devido a sua fraca interação gravitacional com os corpos a sua volta.

Os pesquisadores, ainda não satisfeitos, continuaram suas buscas incessantes. Segundo Kepler Oliveira Filho (2014), as buscas incessantes por um 9° planeta se dá pelo fato de que Plutão possui a massa muito pequena para afetar de forma tão grande na orbita de Netuno. Muitos astrônomos defendem a ideia de que no cinturão de Kuiper, há diversos corpos gelados, assim como Plutão, que juntos, podem causar esse efeito.

Portanto, apesar das buscas, apesar de não ser impossível a existência de mais um planeta no Sistema Solar, até o momento nada foi encontrado.

REFERÊNCIAS

FERNANDES, N. Nibiru: tudo sobre o boato da internet e o fim do mundo que nunca chega. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/09/nibiru-tudo-sobre-o-boato-da-internet-e-o-fim-do-mundo-que-nunca-chega.html Acesso em: 2 mar. 2021.

FINCH, Robert; GALIAZZO, Mattia A. The Orbit of Planet Nine Derived from Engineering Physics. preprint :2001.09150, 2020.

MAES, Hercílio. Ramatís. O Astro Intruso. Sob a Luz do Espiritismo, 1993.

Nibiru: tudo sobre o boato da internet e o fim do mundo que nunca chega. Galileu, 2017. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/09/nibiru-tudo-sobre-o-boato-da-internet-e-o-fim-do-mundo-que-nunca-chega.html. Acesso em: 13 jan. 2021.

NIBIRU. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Nibiru&oldid=63368524. Acesso em: 11 abr. 2021.

NASA (ed.).Beyond 2012 : Why the World Didn‘t End. [S. l.], 22 dez. 2012. Disponível em: https://www.nasa.gov/topics/earth/features/2012.html. Acesso em: 31 jan. 2020.

NETTO, José Paulo. Relendo a teoria marxista da história. História e História da Educação. O debate teóricometodológico atual. Campinas, SP: Autores Associados/HISTEDBR, p. 50-64, 1998.

Oliveira Filho, K. D. S., & Saraiva, M. D. F. O. (2004). Astronomia e astrofísica. São Paulo: Editora Livraria da Física, 780.

Planeta Chupão. ESOTERICO. TERRA, 2006. Disponivel em: https://www.terra.com.br/esoterico/monica/colunas/2006/03/28/000.htm. Acesso em: 25 marc. 2021.

RABOLÚ, V. M. (1998). HERCOLUBUS OR RED PLANET. A prata, Burgos, Espanha.

Três em cada quatro brasileiros já utilizam a Internet, aponta pesquisa TIC Domicílios 2019. CETIC, 2020. Disponível em: https://cetic.br/pt/noticia/tres-em-cada-quatro-brasileiros-ja-utilizam-a-internet-aponta-pesquisa-tic-domicilios-2019/.

ZAP (ed.). NASA pode já ter encontrado o misterioso Planeta X. 2019. Disponível em: https://zap.aeiou.pt/nasa-ja-pode-ter-encontrado-misterioso-planeta-x-291537. Acesso em: 30 jan. 2020.

COMO REFERENCIAR ESTE ARTIGO:

DOI, Erick Kenji. BRISSI, Deidimar Alves. A GÊNESE DE NIBIRU Pindorama Ciência: v.01, e20210003, 2021. Disponível em: http://editorapindorama.com.br/pindoramaciencia/artigos/2021_Nibiru/index.com. Acesso em: xx/xx/2023.

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